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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Um bate-papo sobre a Arquitetura Natalense

Logo pela primeira vez que ouvi falar sobre Arquitetura Moderna, nas aulas do professor Clewton no quinto período, me acendeu um interesse sobre aquilo e eu ainda nem imaginava o que estava por vir. Me fascinava pelas ideias revolucionárias de Le Corbusier, de Mies van der Rohe, e por todo aquele novo modo de construir que surgia na Europa. Construir sem nenhum adorno no mundo clássico, acompanhado pelas inovações tecnológicas que vieram com a revolução industrial, para mim, era como ver o mundo que vivemos hoje surgindo. É como uma professora nossa nos falava: "o mundo como conhecemos hoje surgiu no século XIX".
Diante desse meu interesse pela arquitetura moderna, passei a ser bolsista da base de pesquisa a qual trabalho atualmente: MUsA (Morfologia e Usos da Arquitetura). Lá estudo sobre a arquitetura de Natal, e como minha área é modernismo, estudo especificamente isso: a Arquitetura Moderna de Natal.
Então vamos lá, lembrar um pouco sobre aquilo que sabemos da nossa cidade, dos nossos antepassados. Realmente acredito que conhecer nosso passado nos ajuda a descobrir quem somos, e estudar uma parte da história de Natal, tem me ajudado a esclarecer algumas coisas. 
Assim que cheguei na MUsA, logo nos primeiros dias, Edja me pediu para ler alguns trabalhos sobre o Ecletismo em Natal. O Ecletismo foi uma filiação estilística da virada do século XX que trazia o estilo neocolonial, neoclássico e art nouveau, todos vistos aqui em Natal, por essa época. Eram edifícios que traziam elementos clássicos, como frontões, balaustradas, e eram bastante enfeitados. São chamados de "bolo de noiva", o que é um nome bastante adequado para o estilo. Perceba que esse estilo arquitetônico era totalmente imitado da Europa, porque até um pouco antes, em Natal não existia praticamente nada, quanto mais um estilo arquitetônico próprio. Natal, é claro, refletia o que era feito no Brasil, e seus primeiros prédios institucionais construídos nessa virada de século eram assim:
Foi então que o modernismo chegou ao Brasil, mais precisamente na região Sudeste e paralelamente em Pernambuco. Niemeyer, Lúcio Costa, Warchavchik, Delfim Amorim praticavam o modernismo influenciados pelo que havia sido feito na Europa e começavam a criar um modernismo com uma cara mais brasileira. Essa nova arquitetura estava adaptada ao clima, aos nossos materiais, e enfim nós tínhamos um reconhecimento mundial pelo que estávamos fazendo. 
Voltando a Natal, que no fim do século XIX se resumia a Cidade Alta e a Ribeira; no governo de Pedro Velho, ganha o plano urbanístico da Cidade Nova, que representa os bairros de Petrópolis e Tirol hoje. Nesse bairro, que inicialmente só haviam sítios, foi onde surgiram as primeiras residências propriamente modernistas. Antes disso, já tinham sido construídos os primeiros edifícios proto-modernos (estilo de transição entre o ecletismo e modernismo) no bairro da Ribeira, e daí só se expandiram. Os primeiros profissionais que aqui trabalharam eram de fora, mais especificamente de Recife, e anos depois Natal passou a ter seus próprios profissionais.
O modernismo vigorou em Natal dos anos 1940 aos anos 1970, e foi quando Natal fez sua própria arquitetura! E aí que chego onde eu quero: quando produzimos uma própria arquitetura capaz de revelar quem somos (essa modernidade chegou a nossa cidade e sociedade também pela influência dos americanos na Segunda Guerra), a sociedade desconhece completamente essa arquitetura e a destrói a cada dia, pois não reconhece o valor que ela tem!

Pois bem, pretendo dar continuidade sobre esse tema aqui! Foi apenas uma breve introdução principalmente para aqueles que não são da área da arquitetura, mas que têm todo o direito de conhecer o patrimônio arquitetônico da sua cidade! Em breve postarei mais coisas sobre a arquitetura moderna potiguar. Atééé! =)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Realizando um sonho: Villa Savoye

Sempre que as aulas recomeçam fico um pouco atordoada e não consigo escrever por aqui! Nas primeiras semanas tenho um sono muito grande, e então fico na maior preguiça! Mas vamos lá, retomar as coisas. Sem dúvidas um dos passeios que mais marcou essa viagem foi a ida a Villa Savoye.
Eu sou apaixonada pelo modernismo, e eu tinha esse grande sonho. Quando vi que ia dar pra ir em Paris, sabia que não poderia deixar de visitar essa linda.
Para quem não sabe, a Villa Savoye é obra de Le Corbusier, um dos arquitetos mais importantes do século XX. Ele trabalhou no desenvolvimento do modernismo, e criou os 5 pontos da arquitetura moderna (1- construção sobre pilotis, 2 - Terraço jardim, 3- Planta livre da estrutura, 4- Fachada Livre da estrutura 5- Janelas em fita), que estão todos na Villa Savoye. Podemos dizer que é sua obra prima! Para ter noção, foi uma das primeiras casas construída em concreto! Foi feita entre 1928 e 1931 (enquanto aqui em Natal, por exemplo, o ecletismo vigorava!)

Só chegamos na Villa Savoye, graças a Rhenyara (minha amiga que sabe tudo de Paris). Pegamos um metrô em direção a Poissy (zona 5 de Paris). Quando chegamos na tal localidade pegamos outro ônibus e então encontramos casa de campo da familia Savoye, hoje patrimônio do estado. Durante a Segunda Guerra, a família teve que deixar a casa, que acabou sendo tomada por nazistas. Só em 1958 passou a ser propriedade do estado francês, então em 1965 foi considerada monumento histórico. Hoje existe um pequeno museu sobre Le Corbusier. Aqui em baixo estão fotos que tiramos da casa e foi uma grande emoção ir identificando os elementos!

Uma coisa que marcou muito a visita foi a chegada ao lugar. Isso porque a casa fica dentro de uma cidade, com toda urbanidade que lhe é de direito. Só que a Villa fica dentro de um terreno, rodeado por árvores. Quando você caminha em direção a ela, ainda não a enxerga. E então ela surge, o bloco de concreto que flutua sobre o pilotis aparece, e a emoção é indescritível!
Por sorte gravamos um vídeo da nossa chegada, e nem imaginávamos que merecia ser gravada! Tá aqui ó (acho que vale a pena ver):


P.S.: Eu já amava tanto a Villa Savoye que ela aparece na logo do blog, hein? Em forma de lego! ;P

terça-feira, 12 de junho de 2012

Charles e Ray Eames - Especial dia dos namorados

Para comemorar o dia dos namorados na arquitetura, o casal escolhido foi Charles e Ray Eames. A curiosidade sobre eles surgiu depois do post sobre as cadeiras, e então resolvi fuçar a história dos dois.
Esse casal americano deixou contribuições no âmbito da arquitetura, do design gráfico e industrial, do cinema e das belas artes.
Charles teve grande influência do arquiteto finlandês Eliel Saarinen, o pai do Eero Saarinen, que já falei sobre ele por aqui uma vez. Charles e Eero foram sócios. Charles já teria sido casado uma vez, mas na década de 40 se separou e logo depois se casou com sua colega de profissão, Ray-Bernice Alexandra Kaiser Eames.

 Ela estudou arte expressionista abstrata com Hans Halfman, e foi  durante a preparação de desenhos e maquetes para a competição "Organic Design in Home Furnishings", que conheceu Charles Eames.
Em 1943, 1944 e 1947, Ray Eames desenha várias capas para a publicação de referência Arts & Architecture. Durante o final da década de 40, cria vários padrões têxteis, dois dos quais foram produzidos pela Schiffer Prints, empresa que também produziu tecidos da autoria de Salvador Dalí e Frank Lloyd Wright. Peças originais destes trabalhos podem ser vistas em várias colecções de museus.

Durante a década de 50 o casal continuou seu trabalho na área da arquitetura e design mobiliário, e utilizaram técnicas inovadoras, como a fibra de vidro, cadeiras em resina plástica, e as cadeiras em malha de metal concebidas para o fabricante de equipamento de escritório Herman Miller, por exemplo.



Devido ao seu interesse pela fotografia, Charles produziu vários curtas-metragens. Desde a sua primeira obra, o incompleto "Traveling Boy" de 1950, até ao extraordinário Powers of Ten de 1977.

Desde o início da sua atividade, o mobiliário dos Eames era listado apenas pelo nome de Charles Eames. Em 1948 e 1952, os catálogos da Herman Miller apenas mencionam Charles, mas ficou evidente que a mulher Ray, deveria ser considerada nos mesmos termos do marido. Os têxteis eram desenhados sobretudo por Ray, assim como os bancos Time Life.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Curiosa por cadeiras

Desde que comecei a estagiar num escritório de ambientação, fiquei mais curiosa sobre cadeiras. Sim, porque existem aquelas cadeiras que a gente já viu várias vezes, mas nao sabe o nome, nem quem criou, e nem porque foi feita. Eis que existe uma série de livros da editora autêntica, a design museum, que lançou o livro "50 Cadeiras que Mudaram o Mundo". Foi aí passei a conhecer melhor essas fofas. A seguir minhas favoritas.


1. B3 ou Cadeira Wassily: Essa cadeira surgiu da Dessau Bauhaus, e foi feita em 1925 pelo designer Marcel Breuer. Foi uns dos primeiros desenhos a explorar o aço tubular, e foi inspirada no guidão de aço de uma bicicleta. O modelo da B3 foi uma solução para se definir qual deveria ser a aparência de uma cadeira e como ela deveria ser feita. A cadeira mais tarde passou a se chamar Cadeira Wassily, pois Marcel Breuer deu um dos primeiros protótipos ao seu amigo da Bauhaus, o pintor Wassily Kandinsky.

2. Barcelona: Essa famosa cadeira foi criada por Mies van der Rohe e a designer Lilly Reich, para compor o Pavilhão Alemão da Exposição Ibero-Americana de Barcelona, em 1929. O pavilhão foi usado para a cerimônia de abertura do evento, e nenhum esforço foi poupado. A cadeira Barcelona, acompanhada por otomanas, adquiriram uma presença monumental. Ela foi inicialmente produzida em couro de porco, e só depois ganhou outras cores. Foi somente em 1953 que a cadeira passou a ser comercializada, quando Mies Van der Rohe vendeu seus direitos.

3. Lar, Dar e Rar: Foi criada em 1948 pelo casal Charles e Ray Eames. Os assentos plásticos reforçados com fibra de vidro, podiam ser fixados com qualquer base - a da foto é a torre Eifel.
O casal Charles e Ray Eames

4. Model 3107: Foi criada pelo arquiteto dinamarquês Arne Jacobsen, e acompanhou a ideologia Gesamtkunstwerk, segundo a qual o desenho dos espaços exteriores e interiores deveriam ser concebidos como uma coisa única. A cadeira teve tanto sucesso que se tornou o carro chefe do estilo modernista dinamarquês.

5. Panton: Criada por Verner Panton, em 1968, é vistosa e sexy, essa cadeira parecida com uma língua apareceu pela primeira vez no jornal dinamarquês de design Mobília, em 1967, embora viesse sendo pesquisada a muitos anos. O criador trabalhou por um tempo no estúdio de Arne Jacobsen. A cadeira Paton, assim como a model 3107, recebeu certa notoriedade, quando em 1970, foi usada como propaganda na revista de moda inglesa Nova, num ensaio fotográfico "Como se despir na frente do seu marido".

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A arquitetura contemporânea brasileira é modernista

Quem segue a página Arquitêta no facebook, já deve ter percebido que eles postam as produções do que os arquitetos andam fazendo.
E voltando ao debate do modernismo, mas hoje eu vou escrever pouco, pois as imagens falam sozinhas, vou dividir com vocês o que andamos debatendo esses dias.
A arquitetura Modernista teve tanto sucesso, mas tanto sucesso no Brasil, que até hoje é maior influência para uma geração de arquitetos que produzem hoje em dia. Acho que não se trata nem apenas de uma influência, e sim de uma linha de produção que só se renovará daqui há alguns anos, quando novos arquitetos brasileiros tomarem outras linhas projetuais. A seguir algumas fotos que retirei da página do Arquitêta.

Casa Atelier- Arquiteta Maristela Rodrigues De Oliveira

Escola Pública - Arquitetos Maristela Rodrigues De Oliveira, Thiago Augustus e Jessica Aramaki

Luciano Soares, Lucas Béliche e Pedro Carvalho
Concurso IAB-SP de 2011 - Menção honrosa
Quadra Poliesportiva - Arquiteta Maristela Rodrigues De Oliveira

Residencia unifamilar - Felipe Amaral


E aí, é ou não modernismo puro?

domingo, 8 de abril de 2012

Dica de Filme: Meu Tio

Como estudante feliz que sou, e como já disse anteriormente, conhecer o modernismo foi um momento incrível no meu curso. Para mim, construir as casas que foram construídas no início do século XX foram uma grande evolução na arquitetura. Se hoje, no século XXI, uma casa moderna pode sofrer resistência, imagine em 1920! E é isso me atrai fortemente, a inovação estética que o modernismo trouxe pra época. Para os não arquitetos, vou explicar mais ou menos como foi a coisa. Todo mundo sabe que depois do século XIX, da Revolução Industrial, o mundo era outro. Era a Era Moderna, a produção industrial era o que guiava o mundo, e o mundo sofria uma grande reivenção tecnólogica. As cidades agora eram pensadas para o carro, para a grande escala, e o indivíduo moderno não deveria mais viver numa casa, e sim na Máquina de Morar! Essa nova casa deveria ser algo funcionalista, prático, ideal para o homem tecnológico. A casa não deveria ter mais adornos, deveria ter uma geometria pura, linhas retas... assim nascia a casa modernista! Na minha opinião o resultado estético é incrível, acho lindo...

Só que então eu assisti ao filme Meu Tio (Mon Oncle) e pude perceber as falhas desse estilo. O filme, obviamente, satiriza fortemente os defeitos do modernismo, inclusive da casa moderna.
Na casa, há um lugar para tudo, o que mostra que não há nenhuma praticidade nela. As lajotas do jardim indicam o caminho que devem ser pisados, a casa faz barulho com uma fábrica, e assim que uma visita chega a casa o chafariz do jardim deve ser ligado para impressioná-la.
Existe uma tomada de cena do filme, que mostra a cidade antiga destruída, e em seu plano de fundo um novo conjunto habitacional moderno. Considero isso uma grande romantização do Jacques Tati,  o diretor do filme, mas também entendo que houve uma grande desvalorização da cidade antiga durante esse período. E foi essa a maior falha do movimento moderno para mim! O indivíduo gosta do detalhe, do adorno, porque isso lhe trás memória, isso constrói a sua história!
Bem, eu poderia passar mil anos filosofando por aqui! Mas é isso! Fica a dica de um filme excelente e muito atual: Meu tio!

terça-feira, 27 de março de 2012

126º Aniversário de Mies Van der Rohe

Estudar o modernismo foi um dos melhores momentos do meu curso até agora. Le Corbusier, Frank Lloyd Wright e Mies Van der Rohe marcam esse momento.
O arquiteto alemão marcou a história da arquitetura com a criação da Escola Bauhaus onde primava o racionalismo, a geometria clara e a sofisticação, e ficou conhecido por disseminar o Internacional Style.
Além de arquiteto, o aniversariante do dia desenvolveu objetos de design, como suas famosas cadeiras.
Mies nasceu na Alemanha em 1886, mas em 1949 foi naturalizado americano.
 Eu adoro o modernismo, porque acho muito incrível o fato de em 1929 alguém explorar os novos materiais de forma a projetar algo tão a frente à época, como o Pavilhão de Barcelona, por exemplo.
 Mies também deixou frases que marcaram a arquitetura, como "Less is more" e "God is in detals".


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Aprendi em Caicó

Nesse carnaval, eu passei um dia em Caicó para conhecer seu famoso carnaval!
Acompanhei o bloco do Magão no domingo e já na segunda voltamos para casa. Foi muito divertido! =)
Agora uma coisa que realmente me marcou, foi o casario da cidade.
Eu já havia ido a Caicó uma vez, mas passei apenas uma tarde, e não tive muita oportunidade de conhecer a cidade.
Dessa vez, embora também não tenha sido muito tempo, eu pude ver melhor as casas, e vi com muita presença as casas ecléticas e modernas. Também há casas de estilo colonial, mas são as duas anteriores que vi com mais intensidade - pelo menos no centro de Caicó, e no bairro Penedo, que foi onde fiquei hospedada.
O Ecletismo aconteceu entre 1920 até 1940, enquanto o modernismo foi da década de 40 até a de 70.

Então para os curiosos de plantão, fica a dica! O carnaval de Caicó vale a pena, mas a arquitetura da cidade vale mais ainda! =)

Duas dessas fotos foram retiradas daqui!